O Dia Fora do Tempo
O tempo, quando visto da terceira dimensão, nos prende a uma seqüência linear que nos faz classificar todas as experiências dentro da lógica cartesiana que necessita sempre de causas para os seus efeitos. Passado, presente e futuro! Futuro, palavra mágica que para alguns desperta angústia, para outros, esperança, expectativa, ansiedade, sonhos, fantasias. Futuro, idéia que nos induz a buscar oráculos, videntes, estatísticas. Antigamente, consultávamos oráculos apenas interessados nas "previsões". O futuro, algo distante e desvinculado dos nossos atos do presente, quando profetizado deveria ser aceito com resignação e passividade. Mas, consultando ou não oráculos, sempre estamos tentando decifrar, descobrir e antecipar os próximos capítulos da vida.
Hoje em dia, cada vez mais pessoas entendem que o futuro é mera conseqüência do presente, do temperamento, das atitudes, e que esses fatores estão escrevendo a nossa história a cada momento, nos fazendo entender que a nossa realidade existe de acordo com nosso estado de consciência.
Conhecendo o presente podemos facilmente prever o futuro, ou como dizia Jung: "O destino do homem é o seu temperamento".
Quando aprisionados à terceira dimensão, reagimos com um sorriso cínico toda vez que uma realidade diferente se manifesta. Seja no plano do conhecimento ou dos fatos, o desconhecido ameaça o conforto e a pseudo garantia que as idéias e estilos de vida já "testados e aprovados" nos trazem.
Estar fora do tempo, procurar por outro tempo, ir além do tempo é quebrar paradigmas, romper condicionamentos, jogar fora garantias e certezas. É esvaziar para receber. Compreender sem entender.
Om Shanti .:. Paula Salotti
Jornal Universus - Julho/Agosto - 2004
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