quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Jornal Universus - Maio/Junho- 2006


Aos Filhos de Netuno

Sem palavras, sem poesia, sem mistérios a desvelar, sem paixões, sem vícios...
Netuno.
Este estado liquefeito da alma, que se dissolve a cada passo, a cada momento.
Vazio. Vazio de ser, de sentir, de pensar. Vazio de histórias, de passado. Vazio de presente e futuro.
Netuno.
Desintegra, desfaz, desmancha os sonhos no ar, transcende, ilumina, neutraliza, esfria.
Quanto espaço vazio, quanta falta. Falta de Deus, de existência.
Falta de ar, de pensar.
Netuno.
Totalidade, preenchimento, sonho, aflição, paraíso, tentação.
Encanto, magia fugaz, desilusão
Águas turbulentas, dissolução
Um divino chamado
A entrega da alma
Traição
O ilusório arco-íris da superfície da bolha de sabão que não resiste ao toque e desaparece no ar como se nunca tivesse existido.
Nas águas de Netuno aprendi o nada que faz sentido, nada, que importa, nada, que sustenta nada, que aproxima.
Nado nas águas de Netuno e me afogo em suas profundezas.
Do nada vim,
Para o nada vou,
No nada estou... 





Paula Salotti

Jornal Universus - Maio/Junho- 2006

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