UNIVERSUS 12 ANOS!
Acumular, comprar, possuir, fabricar...
Escravidão.
Escravidão a uma ilusória aparência, frágil, inconsistente, inconstante, que só faz aumentar o vazio e o anseio por algo que desconhecemos mas que necessitamos desesperadamente... E mais acúmulo, mais posses, mais vazio. Pensava no Ter e Ser ao escrever sobre esta importante edição. Universus faz 12 anos!Doze são os signos do Zodíaco, o Enforcado do Tarot, um ciclo de Júpiter concluído...
Na Roda Zodiacal, o décimo segundo estágio representa a fase na qual somos preparados para um novo nascimento, o recomeço do ciclo em outra dimensão. Na espiral evolutiva cada recomeço nos lança em uma perspectiva maior.
Casa 12, Peixes, o Enforcado. A experiência da inversão de valores, desapego, despojamento. Saber estar vazio para que o novo encontre espaço ao chegar.
O Enforcado , ao contrário do nome, está pendurado pelos pés. Ao contemplarmos este arcano, é comum surgir uma sensação de desconforto por sua incômoda posição. O Enforcado está amarrado pelos pés, de cabeça para baixo, e de suas mãos deixa cair moedas. É comum este arcano refletir um momento de prisão - como os antigos significados atribuídos a casa 12 astrológica - quando estamos literalmente de mãos atadas, sem nada poder fazer e, ainda por cima, tendo que nos desapegar daquilo que representa nossa segurança (as moedas). Sem dúvida, não é um dos momentos mais tranqüilos da vida, mas com certeza é um dos mais ricos e promissores, uma vez que sugere transição. Não a transição rápida, que leva a uma mudança súbita de vida ou de situação, mas a alteração de valores, a mudança de perspectiva, quando passamos a ver o mundo de cabeça para baixo, resultando na total perda do sentido do que antes nos motivava. Como a casa 12 e Peixes, este símbolo nos ensina uma postura de interiorização, renúncia dos desejos mais egocêntricos, desprendimento e caridade. É quando estamos mais sensíveis a tudo que nos cerca, e quanto mais focalizarmos nossa compaixão na dor alheia, menos tempo teremos de lamentar a nossa. Estes símbolos só representarão algum sacrifício para aqueles que insistirem em se manter apegados a situações, valores e idéias enraizadas e egóicas.
Na linguagem simbólica, esse princípio que dissolve, que iguala, nos mostra a cada instante que quando nos gabamos felizes porque descobrimos quem ou o que somos, é porque já não somos mais. Este constante aprendizado da ilusão do eu, do mundo exterior que nos cerca e de tudo que nele está - coisas, pessoas, situações - é tão real quanto o mundo interior das nossas crenças, pensamentos e identidades, que quando se cristalizam, nos dão o primeiro sinal que é hora de abandoná-las para que a vida siga seu fluxo.
E havendo ou não frutos, é pelo sonho que vamos...
Na tradução astrológica diríamos: que frase netuniana! É Netuno que nos presenteia com o sonho ou a capacidade de abrirmos nossa via a ele. Sonhar sem ter o compromisso de materializar o sonho, ação sem recompensa.
Sempre que estamos concluindo uma edição de um jornal alternativo, concluímos junto com a sua execução que "é pelo sonho que vamos..."
Caminhamos numa direção desconhecida, sem saber o que nos espera, sem caminhos traçados, garantias e certezas, caminhamos nessa infinita estrada chamada vida.
Felizes pelo sonho, pelo caminho traçado, pela divulgação das idéias que acreditamos, estamos aqui há 12 doze anos!
Jornal Universus - Setembro/Outubro- 2006
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