quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Jornal Universus - Maio/Junho- 2005

Deliciosas Polêmicas

Do outro lado da linha, uma leitora apreensiva: - "Ela me disse que isso é um absurdo. Afinal, o jornal é ou não responsável pelas matérias publicadas?"
Como de praxe, a resposta automática: -"Os jornais não se responsabilizam pelas opiniões emitidas nas matérias assinadas". Mas, no mesmo instante, ao acabar de dizer isso, penso e me contradigo de imediato: - "Não, mas aqui esta regra encontra uma exceção. Me responsabilizo por cada opinião aqui emitida. Escolho sim, acredito, gosto e quero compartilhar.
E, pensando bem, acho que é assim com toda publicação. Para que haja uma linha editorial, escolhas devem ser feitas e, essas escolhas, por mais aleatórias que sejam, sempre irão refletir algo de quem as escolhe. Mesmo que esse algo seja mascarado por motivos como o gosto popular, o que faz sucesso ou que dá ibope.

E tudo isso em função da matéria sobre o DNA publicada na edição anterior. Muita polêmica, muitos comentários e, no telefonema citado, a indignação vinha da amiga geneticista da leitora que, cumprindo bem o seu papel de cientista, descartava qualquer possibilidade diferente das estudadas e "comprovadas" até então.
Sem desmerecer tudo de bom que os cientistas e a ciência nos proporcionam, indagamos qual o meio que mais precisa eliminar antigos conceitos em função de novos? Ou assumir que verdades inabaláveis de ontem, hoje não mais se sustentam?
Basta darmos uma rápida olhada na história e veremos como grandes verdades foram desbancadas por novos conceitos, que foram ultrapassados e novamente ultrapassados e... assim caminha a humanidade! De forma maravilhosa, evoluindo constantemente, quando permitimos que a natureza encontre expressão e liberdade. Caso contrário, com atrasos e estagnações, quando esse fluir encontra a resistência vinda daqueles que tentam eternizar a "verdade em vigor", como se fosse a única possibilidade existente.
"Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da mágica." (Arthur C. Clarke)
Centenas de anos antes de cristo. Será que precisamos ir tão longe? Não! Eletricidade, mecânica, informática, medicina nuclear, etc. Há pouquíssimo tempo atrás, mesmo o homem mais moderno, crucificaria como obra do mal ou mera invenção da mente desocupada aquilo que um dia seria descoberto, explicado, usado e caducado. Como em todo o caminhar científico, um dia as idéias foram apenas idéias. Idéias captadas por mentes inquiridoras e abertas à exploração do novo.
Mentes que ousaram e ousam desafiar paradigmas são e serão sempre castigadas. Como se ainda carregássemos com muita força em nosso ser a semente do pecado. O conhecimento é a luz que liberta o ser de toda escravidão, seja ela religiosa ou científica, e essa libertação dificilmente é perdoada.
Isso tudo me faz lembrar como, no próprio meio científico, os gênios são classificados: primeiro, como aqueles que estudam muito uma idéia, chegando tempos depois a um resultado genial. Segundo, como os que descobrem o resultado e só depois vão estudar e descobrir o que gerou esse resultado, ou seja, primeiro descobrem a resposta, para depois formular a pergunta!
E grande parte das idéias que alavancam a nossa evolução apresentam-se assim, como respostas prontas à espera da investigação e experimento. Algo terrível é vermos fantásticas idéias que podem trazer o amanhã, sendo embaladas e apresentadas com conceitos de ontem, e por isso, impiedosamente abortadas.
Mas já que uma idéia gerou tanto frisson, vamos mais fundo. Nesta edição temos mais DNA, mais quarta dimensão e um pedido: acreditando ou não, fazendo sentido ou não, que a mente de todos nós esteja cada vez mais aberta, liberta, para que o novo expanda fronteiras. Só assim entraremos na era que pede que conceitos e preconceitos sejam definitivamente eliminados e o campo unificado descrito pelo mestre Einstein, possa de fato ser experimentado!


Om Shanti .:. Paula Salotti

"Aqueles que dançavam eram considerados totalmente insanos por aqueles que não conseguiam escutar a música." Ângela Monet

Jornal Universus - Maio/Junho- 2005 

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